
A sazonalidade da atividade hoteleira e turística em Portugal é uma característica estrutural do setor. A concentração da época alta entre a Páscoa e o mês de outubro implica uma maior exigência de mão de obra, que se reflete em dificuldades a nível de recrutamento, influenciada pela crescente escassez de talento. Estes desafios reforçam a importância do planeamento antecipado do recrutamento enquanto meio para mitigar o impacto da falta de resposta do mercado às necessidades existentes.
Os desafios impostos pela sazonalidade não se ficam por aqui. Também a rotatividade crónica que lhe está associada tem custos visíveis e invisíveis avultados que contribuem para o desgaste das equipas operacionais e de gestão de recursos humanos e que só pode ser combatida através da atuação preventiva e da criação de equipas estáveis. Surge, então, a questão: de que forma se pode mitigar o impacto da falta de pessoal no setor da hotelaria?
Em primeiro lugar, é essencial antecipar as necessidades de talento no âmbito do planeamento anual. Ou seja, definir a constituição das equipas e de que forma darão resposta às necessidades das unidades hoteleiras permite que o recrutamento seja realizado atempadamente, e não apenas em contexto de urgência. Esta abordagem estruturada possibilita uma avaliação mais eficaz do alinhamento dos candidatos com o projeto, bem como das competências técnicas dos mesmos para o cumprimento dos objetivos definidos.
O início das atividades de recrutamento durante a época baixa revela-se uma prática eficaz. Neste período, graças à sazonalidade, tende a verificar-se um aumento significativo do número de profissionais disponíveis e não vinculados a um projeto profissional. Esta maior disponibilidade permite analisar um leque mais alargado de candidatos qualificados para as funções a desempenhar.
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