
A escassez de talento é uma realidade transversal a vários setores de atividade em Portugal. Para além da tecnologia, também a indústria, a energia, a construção e o setor automóvel sentem dificuldades crescentes na contratação de profissionais técnicos especializados.
O envelhecimento da força de trabalho, a diminuição do interesse das gerações mais jovens por carreiras técnicas e o aumento da competitividade entre empresas têm vindo a acentuar um desequilíbrio estrutural entre a oferta e a procura.
Neste contexto, é natural que as organizações priorizem as competências técnicas: certificações obrigatórias, experiência comprovada, domínio de equipamentos específicos ou conhecimento de normas técnicas. Estas hard skills são, sem dúvida, indispensáveis. Contudo, se o mercado oferece um número limitado de profissionais totalmente alinhados com todos os requisitos técnicos, importa questionar se uma avaliação exclusivamente focada na vertente técnica será suficiente para garantir desempenho consistente e estabilidade a médio e longo prazo.
Porque não dar mais atenção às soft skills e ao muitas vezes discreto, mas determinante, papel que assumem? Valências como responsabilidade, compromisso, capacidade de trabalhar em equipa, comunicação clara, gestão de stress e proatividade têm impacto direto na eficiência, na segurança e na qualidade do trabalho realizado. Um profissional pode dominar tecnicamente a sua função, mas se não comunicar uma falha atempadamente, se não cumprir rigorosamente os procedimentos ou se não colaborar de forma eficaz com a equipa, pode implicar um aumento de riscos, tanto ao nível dos resultados, como da segurança operacional.
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