
No Dia Internacional do Enfermeiro, em que se assinala o nascimento da fundadora da enfermagem moderna, Florence Nightingale, importa homenagear todos os profissionais de enfermagem que, diariamente, desempenham um papel essencial na promoção, prevenção e recuperação da saúde. Instituído pelo Conselho Internacional de Enfermeiros, este dia tem também como objetivo destacar a importância da enfermagem nos sistemas de saúde, valorizar a profissão e sensibilizar a sociedade para os desafios e responsabilidades enfrentados por estes profissionais em todo o mundo.
Contudo, impõe-se uma reflexão sobre até que ponto esta valorização é real e não apenas simbólica. Celebrar sem agir pode transformar o reconhecimento num gesto vazio que se replica ano após ano, sem impacto real na melhoria do dia a dia destes profissionais.
Hoje, mais do que nunca, os profissionais de enfermagem assumem uma posição central na prestação de cuidados de saúde. São eles que acompanham o doente ao longo de todo o ciclo clínico. A sua intervenção é crucial, não só em contexto hospitalar, como também em cuidados continuados, saúde comunitária, bem como no apoio a uma população cada vez mais envelhecida. De acordo com a Direção-Geral da Saúde, os profissionais de enfermagem representam 61,8% dos profissionais de saúde em exercício na Região Europeia da Organização Mundial de Saúde, sendo na sua maioria mulheres. O trabalho dos enfermeiros promove, de modo inquestionável, a segurança dos cidadãos, os resultados de saúde da população, bem como o desenvolvimento económico.
A relevância destes profissionais torna-se particularmente evidente em contextos de crise, como se verificou durante a COVID-19, período em que os enfermeiros estiveram na linha da frente da resposta em saúde. Se, por um lado, este contexto contribuiu para reforçar o reconhecimento público do seu papel essencial, por outro, trouxe à tona desafios estruturais que persistem.
A antiga presidente do Conselho Internacional de Enfermeiros (ICN), Pam Cipriano, referiu oportunamente que “os enfermeiros sofreram tremendamente durante toda a pandemia. Eles foram desnecessariamente expostos ao vírus, enfrentaram ataques e cargas de trabalho extremas e continuam a ser mal pagos e desvalorizados. Se os governos continuarem a adiar o investimento na força de trabalho da saúde, isso prejudicará os sistemas de saúde em todo o mundo. Não há saúde sem profissionais de saúde!”. Esta afirmação expõe uma contradição desconcertante: os mesmos profissionais que foram aplaudidos durante a pandemia são os que, em muitos casos, enfrentam condições precárias e um reconhecimento pouco efetivo.
De acordo com inúmeras análises do setor, muitos países enfrentam uma escassez significativa destes profissionais, agravada pelo crescente envelhecimento da força de trabalho, assim como pela emigração em busca de melhores condições.
Para ler o artigo completo no Sapo, clique aqui.