
Num contexto laboral cada vez mais orientado para a especialização, há um erro que continua a passar despercebido e que compromete o desempenho de muitas organizações: a má definição de perfis técnicos no recrutamento. Apesar da crescente profissionalização das áreas, em especial industriais, persiste um desalinhamento entre quem recruta e quem executa no terreno.
Quem não gostaria do “candidato perfeito”? Procura-se um profissional com experiência consolidada em várias tecnologias, elevada capacidade de adaptação, domínio de diferentes ferramentas e, ainda, disponibilidade para aceitar condições que não acompanham esse nível de exigência ou que estão desajustadas face ao mercado.
O resultado traduz-se em processos de recrutamento que se prolongam no tempo, equipas que permanecem desfalcadas e a percepção de escassez de talento mais profunda que a realidade, quando, na verdade, existe uma falha na forma como esse talento é procurado e avaliado.
Quantos anúncios vemos mensalmente em que falta clareza e objectividade na definição de responsabilidades e tarefas e, sobretudo, na distinção entre requisitos essenciais e desejáveis? Esta ambiguidade constitui um obstáculo na triagem de candidatos, gera expectativas desalinhadas e aumenta a probabilidade de turnover após a admissão.
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